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Poseidon - O Senhor da Terra

Atualizado: 22 de jan. de 2025

Artigo - Ana Raquel, maga iniciadora e fundadora da casa e colégio de magia Sacerdotisa Universal.



Convido a todos a voltarem o olhar para essa divindade Grega deixando de lado toda a ficção gerada por cima do mito, pois quando falamos em mitos já estamos em certo ponto abordando uma visão fantasiosa de algo, uma representação de uma força natural ou uma condição humana através de um relato.


Acho interessante definirmos o conceito de Mito de uma maneira clara para prosseguirmos com esse artigo, logo, segundo o dicionário temos:



Mito - (substantivo masculino) 1.Relato fantástico de tradição oral, ger. protagonizado por seres que encarnam as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana; lenda. 2.Narrativa acerca dos tempos heroicos, que geralmente guarda um fundo de verdade.


Homero (Il. 15.184–93) relata que quando o cosmos foi dividido entre os deuses, Poseidon recebeu o mar como seu, Zeus o alto céu e as nuvens, e Hades o submundo. Também nesse trecho é relatado que tanto o Olimpo como a Terra continuam sendo comuns a todos os deuses, embora cada um tenha sido designado a um domínio.


Dentro do ponto de vista espiritual podemos relacionar os deuses a três distintas dimensões, Zeus governando o plano espiritual superior, Hades no plano inferior (submundo) e Poseidon responsável pelo plano natural (o meio).


O nome do Deus provavelmente tem origem nos termos gregos posis, que significa "marido", "senhor", e da, que quer dizer "terra", ficando com o significado de "marido da terra", "senhor da terra".


É importante ressaltar que a Grécia é completamente cercada por água, sendo o mar o principal contribuinte para a ordem das coisas assim como da vida em si. A Grécia, a Itália assim como outras partes do mediterrâneo são zonas frequentes de abalos sísmicos, tendo isso em mente entramos no significado dos primeiros epítetos designados a Poseidon.


Originalmente e em sua essência, Poseidon é definido como um deus de elementais, forças geológicas, fontes vivificantes, desastres, inundações, abismo através dos quais a água flui ou recua, senhor dos tremores da terra. Em última análise ele governou o vasto e imprevisível mar, causando tempestades e maremotos.


Os epítetos de Poseidon variam de acordo com as cidades, tribos e sociedades ao qual era cultuado, seu culto mais antigo nessa capacidade de seu aspecto primitivo de um poderoso deus de terremotos e águas, datado dos tempos micênicos, originou-se de Helike da Acaia, na costa sudoeste do Golfo de Corinto,local conhecido por Homero como centro desse culto. O santuário de Poseidon Helikonios, localizado em Helike, era um dos lugares mais sagrados aos jônicos e continha, inclusive, os antigos altares ancestrais desse povo. Quando os jônicos foram expulsos de Helike pelos aquéias no final dos tempos micênicos, eles se estabeleceram na Ásia Menor e levaram consigo o culto a Helikonios.


É compreensível que seja um deus ao qual muitos gregos moldaram suas identidades étnicas, toda a sua cultura, arte, política e sociedade era entrelaçada e relacionada ao mar, sendo essa sua maior fonte de alimento, associado à fartura e a vida em si. Todavia era também um de seus maiores temores visto que abalos sísmicos, tremores e maremotos eram extremamente frequentes, vemos aqui Poseidon em um papel extremamente importante não só atuando como divindade criadora mas também ordenadora, destruidora e moldadora.


Poseidon é frequentemente relacionado à Deméter o que nos reforça a ideia de sua provável origem como Deus de água doce, este controle sobre as forças na terra apenas ocasionalmente se espalharam para a agricultura ou ctônicas, funções do submundo, como em Tainaron, onde Poseidon hospedou um oráculo dos mortos, sendo esse tipo de oráculo usado no intuito, caso houvesse necessidade, de apaziguar os mortos.O Templo de Poseidon em Tainaron fica no ponto extremo da Península de Mani, o dedo médio da península do Peloponeso. Foi dedicado a Poseidon Asphaleios, que significa "Poseidon of Safety", o que proporciona segurança. Strabo descreveu o santuário como um bosque sagrado com uma caverna próxima, o geógrafo Pausânias escreveu sobre um templo em forma de caverna com uma estátua de Poseidon em sua entrada. Na antiguidade, a caverna era considerada a entrada para o Hades.


Mais uma vez vemos a divindade sendo relacionada a estabilidade, segurança e ao submundo quando Esparta foi devastada por um terremoto em 464 aC, foi dito que a causa tinha sido a vingança de Poseidon contra os éforos espartanos depois que eles mataram Hilotas que se refugiaram no santuário. Logo vemos Poseidon assumir uma face mais sombria agindo de forma punitiva devido ao ato profano cometido em seu santuário ao qual as pessoas iam rogar por segurança.


Achados arqueológicos em templos e santuários são discutidos para mostrar como a adoração ao deus era conduzida, desde sacrifícios com o objetivo de aplacar tempestades no mar até ritos sociais nas esferas política e social. A localização de alguns dos templos do deus em locais que se acredita levarem ao submundo, como o Cabo Taenarum, também é discutida e oferece insights sobre a personalidade de um deus que não governa o reino dos mortos, como tal, mas muitas vezes controla sua entrada.


Ao lado de Poseidon temos Anfitrite, filha da ninfa Dóris e de Nereu, portanto uma nereida. É a esposa de Poseidon e deusa dos mares. A princípio, se recusou a unir-se ao deus, se escondendo nas profundezas dos oceanos, em um lugar conhecido apenas por sua mãe. Acabou cedendo às investidas de Poseidon, se tornando rainha dos oceanos. É representada portando um tridente, símbolo de sua soberania sobre os mares.


É importante citá-la pois Anfitrite muitas vezes recebia dedicatórias próprias e era mostrada em um pinax (Tabuleiro grego antigo feito de madeira, argila ou mármore, que foi inscrito ou pintado.) com um pequeno devoto. O par divino fica de frente um para o outro ou cavalga junto em uma carruagem conduzida por Poseidon.



Outros pinakes deste depósito demonstram o patrocínio de Poseidon não apenas aos mercadores marítimos, mas também aos oleiros e pintores que ajudaram a fornecer a carga. Vários pinakes mostram navios, um carregado com potes, enquanto pelo menos vinte e oito ilustram trabalhadores usando fornos, e os próprios tabletes podem ter sido usados ​​como peças de prova no processo de cozimento. A maioria dos tablets parece ser dedicatórias de homens que trabalham na indústria de cerâmica; frequentemente, os próprios doadores faziam e / ou pintavam as tábuas. Como uma divindade de processos e energias subterrâneas, Poseidon era considerado o deus certo para cuidar dos fornos; como divindade marinha e governante dos Isthmos, ele protegia uma indústria cerâmica dependente do comércio marítimo.


Ressalta-se a relação não somente com o mar em si, mas em como Poseidon influenciava na arte e no comércio, atuando como um protetor das forjas como se amparasse a produção da arte assim como sua distribuição. Vemos aqui a junção de suas facetas, atuando de diversas formas ora protegendo dando estabilidade à criação e sua realização e ora, movimentando e ordenando o que foi criado, um grandioso senhor dos poderes elementais.




Referências: Poseidon and the Sea: Myth, Cult, and Daily Life

Edited by Seth D. Pevnick. Pp. 199, figs. 210. Tampa Museum of Art, Tampa, Fla. 2014.

Ancient Greek Cults: A Guide Jennifer Larson, Jennifer Lynn Larson Psychology Press, 2007

THE CULT OF POSEIDON HELIKONIOS: FROM HELIKE OF ACHAEA TO ASIA MINOR AND THE BLACK SEA O culto de Poseidon Helikonios: Da Helike da Acaia à Ásia Menor e ao Mar Negro Dora Katsonopoulou1

Artigo - Ana Raquel, maga iniciadora e fundadora da casa de magia Sacerdotisa Universal.






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